A chegada dos novos patinetes elétricos em Aracaju reacendeu uma discussão que vem ganhando força no país: afinal, a Lei Seca deve ou não ser aplicada também a quem conduz bicicletas e patinetes elétricos? A dúvida surge porque esses veículos ainda ocupam uma espécie de “área cinzenta” na legislação de trânsito, abrindo espaço para interpretações diferentes e pouca fiscalização.
Com o crescimento desse tipo de modal — usado tanto como alternativa de mobilidade quanto como lazer — especialistas em segurança viária têm defendido regras mais claras. A avaliação é simples: mesmo sem motor a combustão, bicicletas e patinetes podem atingir velocidades consideráveis e, quando combinados ao consumo de álcool, representam riscos reais tanto para o usuário quanto para pedestres e motoristas.
O movimento pela regulamentação mais rígida inclui propostas como uso obrigatório de capacete, definição de limites de velocidade, criação de um cadastro de usuários e até a exigência de habilitação para modelos mais potentes. Mas a principal pressão está na ampliação da própria Lei Seca, de modo que conduzir esses veículos sob efeito de álcool também gere punição.
Em Aracaju, o debate ganha ainda mais relevância com a reimplantação dos patinetes elétricos em áreas de grande circulação. A promessa é facilitar deslocamentos curtos, mas a presença desses veículos já levanta preocupações sobre segurança, compartilhamento das ciclovias e responsabilidade dos condutores — especialmente à noite e nos finais de semana.
Para especialistas, a discussão não é sobre restringir o uso, mas garantir segurança viária.
Enquanto não há mudanças oficiais, a prefeitura segue monitorando o uso dos patinetes e avaliando ajustes na regulamentação local. O debate, porém, já está nas ruas — impulsionado justamente pela novidade que voltou a circular pela cidade.
Foto: Reprodução