Boato sobre contratação de 10 mil chineses pela BYD em Camaçari é desmentido

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Publicações que circulam nas redes sociais afirmam que a fabricante chinesa BYD trouxe 10 mil trabalhadores da China para instalar uma “cidade” dentro do complexo industrial em Camaçari, na Região Metropolitana da capital baiana. A informação é falsa. Documentos oficiais, dados da própria companhia e posicionamentos do governo da Bahia confirmam que as vagas previstas são majoritariamente destinadas a brasileiros.

Segundo a BYD, o projeto deve gerar até 10 mil postos de trabalho brasileiros até 2026. Hoje, o complexo reúne cerca de 3.200 funcionários diretamente ligados à operação e outros 3 .700 empregados por empresas contratadas para as obras, totalizando aproximadamente 6 .900 trabalhadores nacionais.

Há expectativa de abertura de mais 3. 000 vagas, com prioridade para moradores da região. Técnicos chineses podem atuar pontualmente na transferência de tecnologia, prática comum em empreendimentos industriais, mas não há previsão de envio massivo de mão de obra estrangeira.

Regras contratuais e metas superadas

O contrato firmado entre o governo da Bahia e a montadora determina que, no mínimo, 70 % dos funcionários sejam brasileiros. Em 2025, a companhia registrou 4 .409 empregos diretos e terceirizados, 93 % ocupados por trabalhadores nacionais, superando a meta de 3. 500 prevista para o período.

Origem do boato

Os vídeos que propagam a alegação exibem canteiros de obras e alojamentos, classificando-os como início de uma “cidade chinesa”. Entre os autores das gravações estão o deputado estadual Leandro de Jesus (PL-BA) e a comentarista Karina Michelin, que sugerem a suposta “invasão” estrangeira. Ambos foram procurados pelo jornal O Globo, mas não responderam até a publicação da checagem que desmentiu o conteúdo.

Histórico de denúncias trabalhistas

Parte das postagens liga o projeto a casos de trabalho análogo à escravidão envolvendo operários chineses. As irregularidades, apuradas em 2024 pelo Ministério do Trabalho, resultaram em acordo judicial de R$ 40 milhões. O episódio, porém, não diz respeito a uma política de migração em massa, mas a condições de obra específicas, onde a presença de brasileiros também era significativa.

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