Representantes da cadeia de combustíveis divulgaram nesta sexta-feira (20) um comunicado conjunto pedindo novas providências do governo federal para evitar o desabastecimento de diesel no país. O texto leva as assinaturas de seis entidades: Fecombustíveis e Sincopetro, que reúnem postos de varejo; Abicom, que representa importadoras; Refina Brasil, ligada às refinarias privadas; Sindicom e BrasilCom, que representam as distribuidoras.
As entidades reconhecem que as medidas já anunciadas pelo Executivo — isenção de tributos federais e subvenção de R$ 30 bilhões a produtores e importadores — ajudam a conter a alta, mas ressaltam que o efeito sobre o preço final é limitado. Segundo o governo, o pacote reduziria em R$ 0,64 por litro o valor na bomba; entretanto, o setor afirma que o consumidor não percebe essa queda.
De acordo com o comunicado, a Petrobras elevou em R$ 0,38 o preço do diesel A nas refinarias. Como o diesel B vendido nos postos contém 15% de biodiesel, esse reajuste representa aproximadamente R$ 0,32 por litro ao consumidor. Leilões recentes da Petrobras negociaram o diesel A entre R$ 1,80 e R$ 2, valores considerados acima da própria referência interna.
Risco de falta de produto
Uma parte expressiva do abastecimento nacional vem de refinarias privadas e de importadores que seguem cotações internacionais. Na visão das associações, se a Petrobras continuar sem alinhar seus preços ao mercado externo e não disponibilizar volumes adicionais, a oferta pode diminuir, elevando o risco de escassez e de novos aumentos.
Variáveis que influenciam o custo
O efeito das iniciativas governamentais também depende de fatores como a proporção da mistura obrigatória de biodiesel, o preço do biocombustível, alíquotas de ICMS, frete e custos operacionais, informa a nota.
A disparada do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, elevou o barril de US$ 60 para US$ 115 desde o início do ano. A TruckPag calcula que o preço médio do diesel nos postos brasileiros subiu de R$ 5,74 para R$ 7,22 no mesmo período.
Com o diesel respondendo por cerca de 45% do valor final na bomba, a Petrobras precisa decidir se repassa totalmente a alta ou absorve parte do impacto, reduzindo margens. Para suavizar os efeitos, o governo também pediu aos estados que cortem o ICMS, mas governadores resistem à proposta.
A nota das entidades conclui que “providências adicionais, com a maior brevidade possível”, são necessárias para evitar um agravamento do risco de desabastecimento.









