GM assume fabricação de componentes do míssil Patriot nos EUA

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A GM fabricou carcaças para os interceptadores PAC-3 MSE da Lockheed Martin e entregou o primeiro lote em agosto. A produção foi concluída em três semanas, muito abaixo dos meses esperados pela cadeia de fornecedores.

A General Motors passou a fabricar peças de míssil e entregou em agosto o primeiro lote de componentes de carcaça para os interceptadores PAC-3 MSE, os mísseis terra-ar mais avançados do sistema Patriot, produzidos pela Lockheed Martin. A entrega surpreendeu a indústria por conta da velocidade: componentes semelhantes costumam levar meses para ficarem prontos na cadeia tradicional de fornecedores, enquanto a montadora concluiu a encomenda em três semanas.

A decisão de atribuir parte da produção a uma montadora surge em meio a uma pressão do Pentágono sobre a fabricante principal para ampliar significativamente a produção de munição de alta tecnologia. Essa demanda aumentou depois do consumo de estoques por apoio à Ucrânia e pela guerra contra o Irã. Em janeiro, foi determinada a necessidade de mais que triplicar a produção do sistema Patriot, com objetivo de superar 2.000 mísseis por ano até o fim de 2030.

O relatório ressalta que o gargalo é industrial. O interceptador mais sofisticado da linha custa mais de US$ 4 milhões por unidade (cerca de R$ 20,5 milhões) e leva mais de dois anos até chegar ao cliente militar, já que muitas peças críticas ainda são trabalhadas manualmente e dependem de fornecedores exclusivos, como a Boeing. É nesse ponto que a experiência das montadoras em produção de alto volume passou a ser considerada atraente pelo setor de defesa, que tem buscado ampliar e diversificar a base de fornecedores do Patriot.

A movimentação também se encaixa na estratégia da GM de ampliar sua divisão de defesa, descrita como pequena, porém em crescimento. A presidente-executiva Mary Barra projetou receita de US$ 700 milhões (aproximadamente R$ 3,6 bilhões) para esse segmento neste ano, com margens de dois dígitos. A companhia já fornece veículos de transporte de tropas às Forças Armadas americanas, e a produção de componentes de míssil representa um avanço nessa relação comercial.

Nem a General Motors nem a Lockheed Martin informaram o tamanho do pedido nem se a parceria terá continuidade. Também não há indicação de que outras plantas da montadora, fora dos Estados Unidos, estejam envolvidas no fornecimento.

Há indicações de que o Pentágono está articulando acordos entre fabricantes de armamento e empresas do setor automotivo para recompor arsenais considerados estratégicos, com aproximações registradas entre o departamento e outras montadoras americanas, entre elas a Ford. A iniciativa reflete um esforço mais amplo para reduzir dependências industriais e acelerar entregas de sistemas e munições considerados críticos para a defesa.

O caso da GM ilustra como capacidades industriais civis — processos de produção em larga escala, linhas automatizadas e gestão de supply chain — estão sendo reaproveitadas para demandas militares sofisticadas, ao mesmo tempo em que permanecem questões sobre escalabilidade, confidencialidade e continuidade de fornecimento em contratos desse tipo.

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