Nas últimas três semanas, os preços dos combustíveis sofreram altas consecutivas em todo o Brasil, um reflexo da guerra no Oriente Médio e da elevação do valor do barril de petróleo. A Acelen, proprietária da refinaria de Mataripe (BA), nesta quinta-feira, 19, aplicou aumentos expressivos nos produtos vendidos às distribuidoras: o diesel S10 passou de R$ 4,99 para R$ 5,65 o litro; o S500, de R$ 4,89 para R$ 5,55; e a gasolina, de R$ 3,27 para R$ 3,70.
O resultado dessa política de preços já chegou às bombas dos postos sergipanos. Em Aracaju, o consumidor já encontra gasolina a R$ 7,69 e o diesel a R$ 7,59. Porém, um fato que sempre se repete em Sergipe quando há aumento da gasolina voltou a gerar indignação e debates. À medida que o preço do derivado do petróleo sobe, o do etanol também vai aumentando. O biocombustível já é adquirido a R$ 5,40/L nos estabelecimentos do Estado.
Nesse momento de instabilidade no mercado internacional e preços nas alturas dos derivados do petróleo, em tese, abastecer com etanol poderia aliviar o bolso dos proprietários de modelos flex, tornando-se uma opção mais viável, econômica e ecológica frente à gasolina. Entretanto, na prática, não é isso que acontece e frustra a população. Os consumidores de Sergipe questionam os motivos dos aumentos de preços de forma sintonizada entre as duas opções.
Informações repassadas ao Garagem SE por proprietários de usinas sucroalcooleiras apontam que a safra se encerrou no Estado.
O economista Márcio Rocha analisa essa cadeia produtiva e os fatores que ocasionam as altas nos preços – das usinas aos postos. Um deles é o gasto com transporte nesse contexto de disparada de valores. “O preço sobe por causa do valor do transporte, que chega imediatamente. O etanol chega por meio de caminhões à diesel”, enfatiza Márcio Rocha.
O especialista esclarece ainda as alterações nos valores do etanol sob o ponto de vista da produção. “Sem safra, as usinas só têm o que está no estoque para converter. Assim, o preço sobe por conta da baixa oferta. Se elevarem a produção alcooleira agora (o que acho muito difícil), o preço tende a baixar”, afirmou Rocha.
Segundo Márcio Rocha, em Sergipe, por conta da proximidade com as usinas, os postos compram diretamente com elas. “Eles vão e carregam os caminhões-tanque lá mesmo”, explicou. Entretanto, quando há deficiência produtiva como agora, é necessário comprar de distribuidoras, o que encarece todo o processo.
Nota da Acelen
Segundo a Acelen, os preços dos produtos da Refinaria de Mataripe para as distribuidoras seguem critérios de mercado que levam em consideração variáveis como custo do petróleo, que é adquirido a preços internacionais; câmbio e frete, podendo variar para cima ou para baixo. “A empresa possui uma política de preços transparente, amparada por critérios técnicos, em consonância com as práticas internacionais de mercado”, afirmou.









