Renault-Geely acelera no Brasil: EX5 híbrido plugável sai da linha

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Em menos de um ano após mudança societária e novo aporte chinês, o EX5 EM-i híbrido plugável saiu da linha em São José dos Pinhais. Vendas começam em novembro; produção do elétrico EX2 começa em dezembro.

Menos de um ano após a Renault Geely do Brasil (RGdB) anunciar a mudança da razão social e o aporte adicional de R$ 2 bilhões da marca chinesa na fábrica de São José dos Pinhais (PR), o primeiro produto — o Geely EX5 EM‑i híbrido plugável — acaba de sair da linha de montagem. A sociedade franco‑chinesa avança com a rapidez que o total de R$ 5,8 bilhões permitirá até 2027.

A comercialização do híbrido plugável começará em novembro. O início de produção nacional do elétrico EX2 será em dezembro próximo, e as vendas ocorrerão até dois meses depois. Ambos os modelos, durante o atual período de importação, superaram as previsões de mercado.

Francois Provost, presidente global do Grupo Renault, veio ao Brasil e afirmou sua confiança na equipe de executivos que cumpriu todos os objetivos previstos. Fabrice Cambolive, ex‑presidente da filial brasileira entre 2015 e 2017 e hoje vice‑presidente mundial de Vendas e Operações da marca Renault, confirmou que serão produzidos aqui quatro modelos até o final de 2027: dois da marca francesa e dois da marca chinesa.

Geely mantém 26,4% de participação acionária na RGdB, operação comandada por Ariel Montenegro desde 2025. Segundo a empresa, a tecnologia híbrida E‑Tech 4×4 será flex e estará disponível no Boreal e na Niagara também em 2027. Montenegro acrescentou que os elétricos puros vão assumir participação maior nos principais mercados mundiais.

O executivo também mencionou retrocessos observados nas vendas de veículos elétricos em alguns mercados: houve queda nos Estados Unidos, no Canadá e, de forma mais discreta, na China, associada ao corte de incentivos. Ao ser questionado sobre a possibilidade de postergar o ritmo da eletrificação na hipótese de normalização da produção de petróleo e queda substancial do preço do combustível, Montenegro respondeu ser improvável que isso aconteça.

Em entrevista, Fabrice Cambolive previu que 50% dos carros da Renault no Brasil serão híbridos ou elétricos até 2030.

No campo ambiental e de economia circular, a Stellantis completou um ano de operação do seu Centro de Desmontagem Veicular (CDV) em Osasco (SP). A estrutura própria, voltada à desmontagem legal e rastreável de veículos em fim de vida, desmontou 1.150 automóveis oriundos de seguradoras ou leilões no primeiro ano e permitiu recuperar mais de 20 mil componentes. Destes, 11 mil já foram comercializados no mercado de reposição.

O CDV destinou de forma ambientalmente adequada 862 toneladas de materiais e quase 14 mil litros de fluidos. O reaproveitamento de componentes chega a reduzir em até 80% o consumo de matérias‑primas e em até 50% as emissões de CO2 em comparação com a produção equivalente de peças novas. A estratégia da empresa atua sob os pilares Remanufatura, Reparo, Reuso e Reciclagem.

Há ainda o Centro de Recondicionamento Veicular (CRV) em Betim (MG), que recuperou mais de 500 veículos em três anos. Com capacidade instalada para até 8 mil desmontagens por ano, o CDV de Osasco entra agora em fase de escala; os próximos passos incluem ampliação do portfólio de componentes certificados, expansão dos canais de distribuição do pós‑venda e consolidação da logística reversa na região. A empresa informou que mantém outros dois CDVs no exterior, na Itália e em Marrocos, e prevê um quarto na França.

No segmento de picapes, a Renault apresentou a Niagara, picape intermediária de cabine dupla prevista para estrear em novembro próximo. Apresentada em Córdoba, Argentina, a Niagara virá ao Brasil com a missão de concorrer com modelos como a Toro, além de outras rivais do segmento. A picape utiliza a mesma estrutura do SUV médio Boreal e compartilha capô e para‑choque dianteiro com o SUV fabricado em São José dos Pinhais (PR).

A dianteira da Niagara chama atenção pela grade verticalizada com inscrição Renault em pequenos pixels cromados. A linha de cintura alta, caixas de rodas encorpadas e maçanetas integradas à coluna traseira seguem os padrões de picapes derivadas de SUVs. Haverá versões 4×2 e 4×4.

Internamente, a picape terá 200 mm de espaço para joelhos no banco traseiro, com encosto reclinável em 25° e um compartimento oculto de 36 litros. O painel integra quadro de instrumentos digital de 10,2 polegadas, central multimídia de 10,1 polegadas com Google Built‑In e sistema de câmeras 360°. A novidade é o assistente de IA generativa e multimodal Google Gemini. São 26 sistemas avançados de ajuda ao motorista (ADAS).

A Niagara mede 4,94 m de comprimento (4,91 m nas versões 4×2), entre‑eixos de 2,96 m, 1,72 m de altura e 1,83 m de largura. Haverá rodas de 17 ou 18 polegadas. A caçamba tem 938 litros e traz cobertura rígida retrátil, tomada 12 V e tampa traseira com abertura elétrica. A carga útil é de 654 kg (incluindo cinco ocupantes) e a capacidade de reboque é de 710 kg, indicada como a maior entre as intermediárias. O vão livre será de 223 mm (233 mm nas versões 4×4); os ângulos são de entrada de 22,1° e de saída de 22,3°. A suspensão traseira é independente multibraço com acerto específico para uso na América do Sul. Os freios serão a disco ventilado nas quatro rodas.

O motor será um flex 1.3 Turbo TCe que entrega 156 cv com gasolina ou 160 cv com etanol, com torque de 27,5 kgf·m. Haverá opção de câmbio de seis marchas manual ou automatizado de dupla embreagem em banho de óleo com seletor eletrônico.

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