Em um cenário marcado pelo avanço da tecnologia, pela busca crescente por sustentabilidade e pelos desafios relacionados ao aumento dos custos da construção, o mercado imobiliário sergipano vive um momento de transformação e expansão. Em Sergipe, o setor da construção civil tem se consolidado como um dos principais motores da economia, impulsionando investimentos, geração de empregos e desenvolvimento urbano.
À frente desse movimento está Sérgio Smith Júnior, engenheiro civil, CEO da Primasa Engenharia e presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário de Sergipe (ADEMI-SE). Com mais de duas décadas de atuação no segmento, ele acompanha de perto as mudanças no comportamento do consumidor, o impacto das políticas habitacionais, a modernização dos canteiros de obras e os desafios enfrentados pelas construtoras em um mercado cada vez mais competitivo.
Nesta entrevista, Sérgio Smith Júnior analisa o atual cenário da construção civil em Sergipe, fala sobre os gargalos do setor, o fortalecimento do programa Minha Casa, Minha Vida, a escassez de mão de obra qualificada e as tendências que vêm redefinindo os empreendimentos imobiliários. O presidente da ADEMI-SE também destaca o potencial de crescimento do estado no contexto nordestino e aponta os caminhos para um mercado mais moderno, sustentável e preparado para o futuro.
O mercado da construção civil em Sergipe vem atravessando um momento de crescimento? Como o senhor avalia o cenário atual do setor no estado?
Sérgio Smith Júnior: Sim, vivemos um momento de forte crescimento e otimismo. O volume de lançamentos e, principalmente, a velocidade de vendas mostram que o sergipano investe no imóvel como o melhor destino. O cenário é de amadurecimento e estabilidade.
Quais são hoje os principais desafios enfrentados pelas construtoras sergipanas?
SSJ: O grande desafio atual é equilibrar o aumento nos custos de insumos e a escassez de mão de obra com a manutenção de preços acessíveis ao consumidor. Além disso, a desburocratização dos processos continua sendo uma bandeira da ADEMI para que o setor possa ter mais agilidade e previsibilidade.
Sergipe tem se destacado por apresentar um custo de construção abaixo da média nacional. Isso torna o estado mais competitivo para novos investimentos imobiliários?
SSJ: Sem dúvida. O custo do metro quadrado competitivo, aliado à nossa qualidade de vida — que é um dos nossos maiores ativos — atrai investidores de fora e estimula as empresas locais. Isso permite que entreguemos empreendimentos com áreas de lazer completas e acabamentos superiores por valores que seriam impossíveis em grandes metrópoles como São Paulo ou Rio de Janeiro.
A falta de mão de obra qualificada é uma realidade em todo o país. Como a ADEMI tem trabalhado essa questão junto às empresas e instituições de ensino?
SSJ: A ADEMI incentiva o compartilhamento de boas práticas entre as associadas, pois entendemos que a valorização do operário e o treinamento contínuo são as únicas formas de reter talentos e garantir a qualidade das nossas entregas.
A tecnologia e a industrialização da construção civil têm ganhado espaço no Brasil. O senhor acredita que Sergipe acompanha essa modernização?
SSJ: Estamos em plena transição. Em Sergipe já vemos o uso de métodos construtivos modernos, como paredes de concreto e estruturas pré-moldadas, além da digitalização do canteiro com softwares de gestão e BIM. A industrialização não é mais uma escolha, é uma necessidade para reduzir desperdícios e aumentar a produtividade. Sergipe está na vanguarda tecnológica do Nordeste nesse sentido.
O programa Minha Casa, Minha Vida voltou a aquecer o mercado imobiliário. Qual o impacto disso para Sergipe, especialmente no segmento popular?
SSJ: O impacto é social e econômico. O segmento popular é o motor do nosso setor em termos de volume. Com a atualização das faixas de renda e o aumento dos subsídios, famílias que antes estavam fora do mercado agora conseguem adquirir seu imóvel. Isso gera um ciclo virtuoso: mais obras, mais empregos diretos e mais dignidade para a população.
O consumidor está mais exigente quando busca um imóvel hoje? Quais tendências têm se destacado nos novos empreendimentos?
SSJ: Muito mais exigente e bem informado. Hoje, o cliente não compra apenas quatro paredes; ele busca experiência. As varandas gourmet, os espaços para recebimento de encomendas (delivery), áreas de coworking dentro do condomínio e as plantas flexíveis — que se adaptam conforme a família cresce — são tendências que vieram para ficar.
Sustentabilidade, eficiência energética e áreas de convivência passaram a ser mais valorizadas. Isso já virou uma demanda definitiva no mercado?
SSJ: Com certeza. Não é mais um “diferencial”, é o padrão. Itens como energia fotovoltaica para as áreas comuns, reaproveitamento de água da chuva e iluminação em LED são exigências do consumidor moderno que busca reduzir o custo fixo do condomínio e ter consciência ambiental. Na ADEMI, incentivamos que novos projetos já nasçam com esse DNA sustentável.
Como o senhor enxerga Sergipe dentro do cenário do Nordeste? O estado ainda tem espaço para crescer no setor imobiliário?
SSJ: Sergipe tem um potencial de crescimento enorme. Temos uma capital que é modelo de planejamento urbano, e um interior que começa a se verticalizar e se profissionalizar, como Itabaiana e Lagarto. Comparado aos vizinhos, Sergipe oferece segurança e tranquilidade que são raras, o que nos coloca como um dos destinos mais promissores para o desenvolvimento imobiliário na região e cidade com melhor qualidade de vida.
Qual a expectativa da ADEMI para o segundo semestre de 2026 e quais sinais o mercado deve observar daqui para frente?
SSJ: Nossa expectativa é de um ano muito positivo, com novos recordes de lançamentos. O mercado deve observar atentamente a manutenção das taxas de juros e o comportamento do crédito imobiliário. O sinal para o investidor é de confiança: o imóvel continua sendo o ativo mais seguro em tempos de incerteza, e Sergipe está pronto para continuar entregando excelência.







