Luciano Barreto: “acredito que Sergipe reúne condições para consolidar uma construção civil mais moderna, sustentável, inovadora e competitiva”

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A construção civil é um dos setores que mais impulsionam a economia, geram empregos e transformam cidades. Em Sergipe, poucos nomes acompanham essa trajetória tão de perto quanto o do engenheiro civil Luciano Franco Barreto. Aos 86 anos, com seis décadas dedicadas ao setor, fundador da Construtora Celi e presidente da Associação Sergipana dos Empresários de Obras Públicas e Privadas (Aseopp) desde sua criação – há 19 anos – ele é uma das principais referências da engenharia e do empresariado nordestino.

Nesta entrevista, Luciano Barreto faz um panorama da construção civil sergipana, analisa os desafios enfrentados pelas empresas, defende mais planejamento para os investimentos públicos e destaca o papel estratégico da infraestrutura para o desenvolvimento do estado.

Ao avaliar o momento atual do setor, ele reconhece avanços, mas ressalta que ainda há um longo caminho a percorrer. “Vejo um cenário de recuperação e de oportunidades, embora ainda existam desafios importantes. Sergipe possui condições para crescer de forma consistente, desde que haja planejamento, continuidade das políticas públicas e segurança para os investidores”, afirma.

Com a experiência de quem atravessou diferentes ciclos econômicos, Luciano relembra que um dos períodos mais difíceis para a construção civil foi marcado pela retração dos investimentos e pelos impactos da pandemia. “Muitas empresas precisaram se reinventar para manter suas atividades e preservar empregos”, afirma. Ele também chama atenção para outro obstáculo que considera permanente: “A insegurança jurídica afeta o setor de maneira muito cruel. É difícil para o empresário conviver e cumprir uma legislação que muda de acordo com a vontade dos políticos”, ressalta.

Ao longo da conversa, o presidente da Aseopp reforça que investir em infraestrutura significa estimular toda a cadeia produtiva. “A construção civil tem um efeito multiplicador muito significativo. Cada obra representa renda para milhares de famílias e melhoria da infraestrutura das cidades, contribuindo diretamente para o desenvolvimento econômico e social”, analisa.

Luciano Barreto também defende um ambiente de negócios mais favorável para atrair investimentos e ampliar a competitividade de Sergipe. Entre as prioridades, ele cita investimentos contínuos em rodovias, saneamento, mobilidade urbana, habitação e logística, além da necessidade de concluir obras dentro dos prazos previstos, garantindo eficiência na aplicação dos recursos públicos.

Defensor da construção civil como vetor de desenvolvimento, o engenheiro ressalta o impacto da atividade na economia. “A construção civil tem um efeito multiplicador muito significativo. Cada obra representa renda para milhares de famílias e melhoria da infraestrutura das cidades”, observa. Na avaliação dele, investir em habitação também significa promover inclusão social. “Programas como o Minha Casa, Minha Vida impulsionam a construção civil, movimentam a economia e geram milhares de empregos. Investir em moradia significa promover inclusão social, dignidade e desenvolvimento urbano”, avalia.

Durante a conversa, Luciano Barreto também aborda temas como inovação tecnológica, sustentabilidade, acesso ao crédito e as perspectivas para Sergipe na próxima década. Ao falar sobre o futuro, demonstra confiança no potencial do estado. “Acredito que Sergipe reúne todas as condições para consolidar uma construção civil mais moderna, sustentável, inovadora e competitiva”, afirma. E conclui reforçando o papel da Aseopp na defesa de um ambiente de negócios mais favorável: “O crescimento da construção civil depende de uma parceria sólida entre poder público e iniciativa privada”. Confira a entrevista na íntegra.

À frente da Aseopp, o senhor já enfrentou bons e maus momentos, certo? Qual foi o
mais desafiador?
Luciano Barreto – Sem dúvida. O período mais desafiador foi enfrentar os momentos de retração dos investimentos públicos e privados, somados às incertezas econômicas e aos impactos da pandemia. Muitas empresas precisaram se reinventar para manter suas atividades e preservar empregos. Nesse cenário, a Aseopp teve um papel importante de dialogo com o
poder público e de defesa das empresas, buscando alternativas para minimizar os
impactos sobre o setor. Outro grande desafio é a insegurança jurídica que afeta o setor de
maneira muito cruel, é difícil para o empresário conviver e cumprir legislação que muda de
acordo com a vontade dos políticos.

Como avalia o cenário atual da construção civil em Sergipe?
Luciano Barreto – Vejo um cenário de recuperação e de oportunidades, embora ainda existam desafios
importantes. Há uma retomada gradual dos investimentos em infraestrutura e habitação,
mas o ritmo ainda está abaixo do potencial do estado. Sergipe possui condições para
crescer de forma consistente, desde que haja planejamento, continuidade das políticas
públicas e segurança para os investidores.

Quais são hoje os principais desafios enfrentados pelas empresas que atuam nos
segmentos de obras públicas e privadas?
Luciano Barreto – Os desafios envolvem o aumento dos custos dos insumos, a dificuldade de acesso ao
crédito, a escassez de mão de obra qualificada em algumas áreas e a necessidade de maior
previsibilidade nos investimentos. No segmento de obras públicas, destacam-se também
os atrasos em processos licitatórios, a descontinuidade administrativa e a necessidade de
maior agilidade na execução dos contratos.

A construção civil é uma das atividades que mais geram empregos. Como o senhor
enxerga a contribuição do setor para o desenvolvimento econômico e social do
estado?
Luciano Barreto – A construção civil tem um efeito multiplicador muito significativo. Além de gerar empregos
diretos e indiretos, movimenta diversos segmentos da economia, como comércio,
indústria, transporte e serviços. Cada obra representa renda para milhares de famílias e
melhoria da infraestrutura das cidades, contribuindo diretamente para o desenvolvimento
econômico e social.

A Aseopp tem defendido pautas importantes para o fortalecimento da engenharia e
da construção civil. Quais têm sido as principais bandeiras da entidade?
Luciano Barreto – Nossa atuação está voltada para a valorização das empresas sergipanas, a defesa da
engenharia de qualidade, a transparência nos processos licitatórios, o fortalecimento do
planejamento das obras públicas e o incentivo à continuidade dos investimentos em
infraestrutura. Também defendemos maior diálogo entre os setores público e privado para
construir soluções conjuntas.

O que ainda precisa avançar em termos de planejamento e investimentos em
infraestrutura para que Sergipe se torne mais competitivo?
Luciano Barreto – É fundamental que exista planejamento de longo prazo. Precisamos de investimentos
contínuos em rodovias, mobilidade urbana, saneamento, logística, habitação e
infraestrutura industrial. Além disso, é importante garantir que as obras iniciadas sejam
concluídas dentro dos prazos previstos, evitando desperdícios de recursos públicos.

Como o senhor avalia o ambiente de negócios para quem deseja investir no estado
atualmente?
Luciano Barreto – Sergipe apresenta boas oportunidades e vantagens competitivas, mas ainda pode avançar
na simplificação de processos, na segurança jurídica e na agilidade das licenças e
autorizações. Um ambiente favorável aos investimentos beneficia tanto o empreendedor
quanto a população, por meio da geração de emprego e renda.

O programa Minha Casa, Minha Vida voltou a ganhar força nos últimos anos. Qual a
importância da habitação para o desenvolvimento das cidades e para a economia?
Luciano Barreto – A habitação é um dos pilares do desenvolvimento social. Além de reduzir o déficit
habitacional, programas como o Minha Casa, Minha Vida impulsionam a construção civil,
movimentam a economia e geram milhares de empregos. Investir em moradia significa
promover inclusão social, dignidade e desenvolvimento urbano.

Há uma demanda crescente por moradia, especialmente para famílias de renda
média e baixa. O setor está preparado para atender essa necessidade?
Luciano Barreto – O setor possui capacidade técnica e empresarial para atender essa demanda. No entanto,
é indispensável que existam políticas públicas permanentes, linhas de financiamento
acessíveis, segurança jurídica e disponibilidade de terrenos urbanizados para que essa
produção ocorra em escala adequada.

A inovação e a tecnologia têm transformado a construção civil. Quais mudanças o
senhor considera mais significativas nos últimos anos?
Luciano Barreto – A digitalização dos processos, o uso do BIM (Modelagem da Informação da Construção),
novas técnicas construtivas, equipamentos mais modernos e soluções sustentáveis têm
proporcionado ganhos importantes de produtividade, qualidade e redução de custos. A
inovação deixou de ser diferencial e passou a ser uma necessidade para a competitividade.

A sustentabilidade deixou de ser uma tendência para se tornar uma exigência.
Como as empresas do setor têm incorporado práticas sustentáveis aos seus projetos?
Luciano Barreto – As empresas estão investindo em gestão eficiente de resíduos, economia de água e
energia, utilização de materiais sustentáveis e tecnologias que reduzem impactos
ambientais. Hoje, sustentabilidade também significa eficiência econômica, pois obras
mais sustentáveis costumam ser mais produtivas e valorizadas pelo mercado.

Como empresário, o senhor acompanhou diferentes ciclos econômicos. Que
lições essa trajetória traz para o momento atual vivido pelo Brasil?
Luciano Barreto – A principal lição é que planejamento, responsabilidade na gestão e capacidade de
adaptação fazem toda a diferença. Os ciclos econômicos passam, mas empresas sólidas,
que investem em inovação, qualificação e gestão eficiente, conseguem superar momentos
difíceis e aproveitar melhor as oportunidades.

O acesso ao crédito ainda é um desafio para empresas e consumidores. De que
forma isso impacta o mercado da construção?
Luciano Barreto – O crédito é essencial para movimentar toda a cadeia da construção civil. Quando o
financiamento é restrito ou possui custos elevados, há redução de investimentos,
adiamento de obras e diminuição da aquisição de imóveis. Isso afeta diretamente a
geração de empregos e o crescimento econômico.

Quais oportunidades o senhor identifica para Sergipe nos próximos anos,
especialmente nas áreas de infraestrutura, habitação e desenvolvimento urbano?
Luciano Barreto – Vejo grandes oportunidades em obras de mobilidade urbana, ampliação da infraestrutura
logística, investimentos em saneamento básico, expansão habitacional, revitalização
urbana e projetos ligados à transição energética. São áreas capazes de atrair investimentos
e impulsionar o desenvolvimento do estado.

O que a Aseopp espera do poder público para estimular ainda mais o crescimento
do setor?
Luciano Barreto – Esperamos planejamento de longo prazo, continuidade dos investimentos, valorização das
empresas que atuam com responsabilidade, maior agilidade nos processos
administrativos, transparência nas licitações e fortalecimento do diálogo institucional. O
crescimento da construção civil depende de uma parceria sólida entre poder público e
iniciativa privada.

Qual a visão do senhor para a construção civil sergipana na próxima década e qual
legado o senhor gostaria de deixar à frente da Aseopp?
Luciano Barreto – Tenho uma visão bastante otimista. Acredito que Sergipe reúne todas as condições para
consolidar uma construção civil mais moderna, sustentável, inovadora e competitiva. Meu maior legado à frente da Aseopp será contribuir para fortalecer a representatividade da
entidade, promover a união do setor e defender políticas que assegurem um ambiente de
negócios mais favorável, gerando desenvolvimento, empregos e qualidade de vida para
toda a sociedade sergipana. Espero que o lema da Aseopp vire, um dia, realidade: Preço
Justo, Obra Concluida, Sociedade Atendida.

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