Verticalização da Zona de Expansão coloca futuro do crescimento de Aracaju no centro do debate

6 Min Leitura

A Zona de Expansão de Aracaju vive uma transformação que já mudou a paisagem e começa a colocar uma pergunta cada vez mais urgente para a cidade: até onde a região pode crescer — e como garantir que o avanço imobiliário seja acompanhado pela infraestrutura necessária?

O aumento do número de empreendimentos e a possibilidade de maior verticalização da área foram o centro de uma audiência pública realizada nesta segunda-feira, 10, na Câmara Municipal de Aracaju. O debate reuniu representantes do poder público, Legislativo e Ministério Público e colocou em discussão os limites para o adensamento urbano de uma região que reúne, ao mesmo tempo, forte potencial imobiliário e áreas ambientalmente sensíveis.

A questão vai além da construção de novos edifícios. À medida que mais moradores chegam, crescem também as demandas por saneamento, drenagem, mobilidade, serviços públicos e infraestrutura urbana. Ao mesmo tempo, a expansão precisa conviver com lagoas, manguezais, áreas de preservação permanente e outros ecossistemas que fazem parte da configuração territorial da região.

Foi justamente esse equilíbrio que a secretária municipal do Meio Ambiente, Emília Golzio, defendeu durante a audiência. Para ela, não é possível estabelecer uma regra única para toda a Zona de Expansão, já que diferentes áreas apresentam condições distintas de ocupação.

“Não podemos tratar toda a Zona de Expansão como se fosse uma área uniforme. Cada local possui suas particularidades, sua capacidade de suporte e suas vulnerabilidades”, afirmou.

A preocupação ganha ainda mais relevância diante da perspectiva de verticalização. O debate passa, portanto, por definir não apenas quanto a região pode crescer, mas onde e em que intensidade esse crescimento deve acontecer.

Segundo Emília, a análise dos novos empreendimentos precisa levar em conta aspectos como drenagem, saneamento, mobilidade, áreas de preservação permanente, lagoas e manguezais, além dos impactos acumulados pela implantação de diferentes projetos.

“Não podemos tratar cada empreendimento de forma isolada. É preciso considerar os impactos cumulativos provocados pelos diferentes empreendimentos”, explicou.

A Zona de Expansão tornou-se uma das áreas estratégicas para o mercado imobiliário de Aracaju justamente pela disponibilidade de terrenos e pelo potencial de ocupação. O avanço, porém, traz consigo um desafio urbano: evitar que a valorização imobiliária aconteça em ritmo superior à capacidade de suporte do território.

Para o promotor de Justiça Eduardo Matos, do Ministério Público de Sergipe, decisões tomadas agora terão efeitos duradouros sobre a cidade. Ele defendeu que o crescimento seja acompanhado de planejamento e respeito às regras urbanísticas e ambientais.

“É importante que o crescimento da cidade seja acompanhado de planejamento, proteção ambiental e respeito à legislação, para que o desenvolvimento não produza riscos ou prejuízos que futuramente recaiam sobre a própria população”, afirmou.

O debate também evidencia uma questão que interessa diretamente ao setor imobiliário: segurança jurídica. Com novos investimentos previstos para a região, regras claras sobre ocupação, infraestrutura e proteção ambiental são fundamentais tanto para o poder público quanto para quem pretende construir e investir.

Plano Diretor

Nesse cenário, a revisão do Plano Diretor de Aracaju aparece como uma das principais ferramentas para definir o futuro da Zona de Expansão.

O instrumento deverá estabelecer parâmetros para o crescimento da cidade levando em consideração fatores como densidade urbana, mobilidade, saneamento, infraestrutura, adaptação às mudanças climáticas e preservação ambiental.

Para o vereador Breno Garibalde, a atualização é necessária justamente porque a cidade mudou e os instrumentos que orientam sua ocupação precisam acompanhar essa transformação.

“A cidade cresceu, as demandas mudaram e os instrumentos de planejamento precisam acompanhar essa transformação”, afirmou.

A revisão também poderá estabelecer critérios mais claros para o adensamento e a verticalização, indicando quais áreas possuem condições para receber maior concentração populacional e quais precisam de maior proteção.

“Não se trata de impedir o desenvolvimento, mas de definir onde, como e em que intensidade ele pode acontecer”, disse Breno.

O desafio colocado pela Zona de Expansão não é necessariamente escolher entre desenvolvimento e preservação. A discussão passa por encontrar um modelo capaz de permitir novos investimentos sem repetir problemas comuns a processos de crescimento urbano acelerado.

A própria Prefeitura defende que Aracaju continue atraindo investimentos e gerando oportunidades, mas condiciona esse avanço à capacidade de suporte de cada área.

“Aracaju pode e deve continuar crescendo. Entretanto, esse crescimento precisa acontecer no lugar certo, na intensidade adequada e com responsabilidade”, afirmou Emília Golzio.

A discussão sobre a verticalização, portanto, está apenas começando. Com a expansão do mercado imobiliário e a perspectiva de maior adensamento, a definição das regras de ocupação da Zona de Expansão terá impacto direto não apenas sobre os novos empreendimentos, mas sobre a mobilidade, a infraestrutura, o meio ambiente e a qualidade de vida de quem já vive na região e de quem ainda vai chegar.

Compartilhe este artigo