Sergipe registra R$ 36 milhões em indenizações do seguro automóvel em apenas dois meses

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Colisões contra postes no estado acendem alerta sobre responsabilidade no trânsito e impacto financeiro dos acidentes.

O aumento das colisões de veículos contra postes de energia elétrica em Sergipe tem ampliado os prejuízos financeiros provocados pelos acidentes de trânsito e reforçado a importância da cobertura de responsabilidade civil no seguro automóvel. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que o setor segurador pagou cerca de R$ 36 milhões em indenizações no estado entre janeiro e fevereiro de 2026. Os desembolsos ocorrem em um contexto de recorrentes acidentes envolvendo postes de energia elétrica no estado.

Segundo levantamento da Energisa Sergipe, 61 postes foram atingidos por veículos entre janeiro e março deste ano, alta de 18% em relação ao mesmo período de 2025. Somente nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, foram registradas 53 colisões. Ao todo, mais de 94 mil clientes já foram impactados por interrupções no fornecimento de energia provocadas por esse tipo de ocorrência.

Entre os municípios com maior número de colisões contra postes estão Aracaju (9 ocorrências), Lagarto (7), Canindé de São Francisco (6) e Nossa Senhora da Glória (4). Segundo a concessionária responsável pelo fornecimento de energia no estado, o aumento tem sido observado principalmente em cidades do interior, com destaque para Lagarto e Canindé de São Francisco. Na capital sergipana, os bairros com maior número de registros são Farolândia (3 ocorrências), Robalo (2) e Grageru (1).

Além dos danos à rede elétrica, esse tipo de acidente também representa risco para motoristas e para a população. Após a colisão, cabos podem permanecer energizados, o que aumenta o risco de choque elétrico para quem se aproxima do local.

De acordo com Cybele Neumann, diretora do Sindicato das Seguradoras da Bahia, Sergipe e Tocantins (SindSegBA/SE/TO), nesses casos, a cobertura de responsabilidade civil facultativa, conhecida como cobertura para terceiros, pode ser acionada para indenizar os danos causados à concessionária de energia ou ao proprietário da estrutura atingida.

“Na prática, a seguradora pode arcar com os custos de reparo ou substituição do poste, da rede elétrica e de outros equipamentos danificados, desde que o motorista possua cobertura específica para danos materiais a terceiros e dentro do limite contratado na apólice”, explicou.

Sem essa cobertura, o responsável pelo acidente tende a responder diretamente pelos prejuízos, que podem incluir não apenas o poste, mas também danos adicionais causados à rede elétrica. Em algumas situações, os valores podem ultrapassar dezenas de milhares de reais.

O cenário ganha ainda mais relevância durante o Maio Amarelo, campanha nacional de conscientização para redução de acidentes de trânsito.

O executivo do sindicato aponta que colisões contra postes normalmente estão associadas a excesso de velocidade, distração ao volante, consumo de álcool ou perda de controle do veículo. Nesse contexto, o seguro automóvel também exerce um papel que vai além da reparação financeira, ao reforçar a importância da prevenção e da condução responsável no trânsito.

“Mais do que oferecer proteção financeira diante de imprevistos, o seguro automóvel também reforça a importância da prevenção e da condução responsável. Em um contexto como o do Maio Amarelo, essa mensagem ganha ainda mais relevância, porque reduzir acidentes significa preservar vidas e evitar impactos que ultrapassam o motorista e atingem toda a coletividade”, afirma Jaime Soares, presidente da Comissão de Automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Em caso de colisão com estruturas elétricas, a orientação é que os ocupantes permaneçam dentro do veículo e acionem imediatamente o Corpo de Bombeiros e a concessionária de energia. Também é recomendado evitar contato com fios elétricos ou estruturas metálicas próximas até a chegada das equipes especializadas.

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