Tecnologia transforma mercado imobiliário e redefine atuação dos corretores em Sergipe

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A transformação digital vem mudando profundamente o mercado imobiliário em Sergipe. Ferramentas como inteligência artificial, automação de atendimento, visitas virtuais e análise de dados já fazem parte da rotina de corretores e imobiliárias, alterando desde a captação de clientes até o fechamento de contratos. Para especialistas do setor, a tecnologia deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade para quem deseja se manter competitivo.

Com 15 anos de atuação no mercado imobiliário sergipano, João Paulo M. Pimentel, sócio-fundador da House Imobiliária Digital, em Aracaju, e diretor de Inovação no Creci Sergipe, avalia que a transformação tecnológica do setor foi “radical” e sem possibilidade de retorno ao modelo tradicional.

João Paulo M. Pimentel, sócio-fundador da House Imobiliária Digital

Segundo ele, há cerca de dez anos, o processo de venda era baseado principalmente em anúncios físicos, como outdoors e jornais, seguidos pelo atendimento presencial nos plantões de venda. Hoje, o comportamento do consumidor mudou completamente.

“O cliente está nas redes sociais e espera resposta quase imediata. Muitas vezes ele é impactado por um anúncio às dez ou onze horas da noite e já quer atendimento em menos de dois minutos”, afirma.

João Paulo explica que o mercado passou a operar em um ambiente altamente digitalizado, no qual ferramentas como WhatsApp, CRM, plataformas de automação, Google Ads, Meta Ads e redes sociais se tornaram essenciais para o relacionamento com os clientes e a geração de negócios.

“O WhatsApp hoje é uma das principais ferramentas de venda do corretor. Mas existe todo um ecossistema ao redor dele, com automação, tráfego pago e inteligência artificial trabalhando de forma integrada”, destaca.

João Paulo explica que a inteligência artificial, inclusive, já vem sendo aplicada no mercado imobiliário sergipano em diferentes etapas do atendimento. Na House Imobiliária Digital, por exemplo, agentes de IA realizam o primeiro contato com os clientes, qualificando informações como perfil de compra, faixa de renda e interesse em moradia ou investimento.

“O corretor passa a entrar em contato quando o cliente já está mais aquecido e com maior potencial de conversão”, explica.

Apesar do avanço tecnológico, ele ressalta que a tecnologia não substitui totalmente o papel humano do corretor. Para ele, a automação elimina tarefas repetitivas, mas não consegue reproduzir aspectos emocionais envolvidos na negociação imobiliária.

“A inteligência artificial pode substituir tarefas operacionais, mas não substitui a confiança, a empatia e a capacidade de compreender o momento emocional do cliente. O imóvel continua sendo uma das decisões mais importantes da vida de uma família”, pontua.

O especialista também avalia que a pandemia acelerou significativamente a digitalização do setor, tornando mais comuns recursos como visitas virtuais, assinaturas digitais e negociações online. Segundo ele, o consumidor passou a aceitar — e em muitos casos até preferir — processos digitais pela praticidade e agilidade.

As redes sociais também ganharam protagonismo na construção da reputação de imobiliárias e corretores. Para João Paulo, o Instagram se consolidou como principal plataforma de posicionamento de marca e apresentação de empreendimentos, enquanto o YouTube fortalece a produção de conteúdo e visitas virtuais.

Por isso, na avaliação do especialista, os profissionais que não investirem em tecnologia tendem a perder espaço no mercado. “A tecnologia não vai substituir o corretor experiente. Mas um corretor experiente com tecnologia vai substituir dez corretores sem tecnologia”, reforça.

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