A inflação da construção civil voltou ao radar de incorporadoras, construtoras e consumidores em 2026. O aumento dos custos de matérias-primas, impulsionado pelos reflexos da guerra no Oriente Médio, elevou as projeções para o Índice Nacional da Construção Civil – Disponibilidade Interna (INCC-DI), indicador calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e utilizado para reajustar parcelas de imóveis adquiridos na planta.
Antes da escalada do conflito, a expectativa do mercado era de que o INCC encerrasse o ano em patamar próximo ao registrado em 2025, quando acumulou alta de 5,9%. No entanto, as novas estimativas apontam um avanço entre um e dois pontos percentuais acima desse nível.
A consultoria 4intelligence projeta que o índice alcance 8,3% em 2026, com aumento de 9% nos custos de materiais e serviços e de 7,5% na mão de obra. Caso a previsão se confirme, será a maior variação anual desde 2022, quando o indicador registrou alta de 9,3%.
A coordenadora de Projetos de Construção do FGV Ibre, Ana Maria Castelo, estima que o INCC termine o ano próximo de 7%. Segundo ela, antes do conflito no Oriente Médio, a expectativa era de uma trajetória mais alinhada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cuja projeção atual no Boletim Focus é de 5,30%.
O principal fator de pressão está no grupo de materiais e serviços, responsável por 58% da composição do INCC. Em abril, a inflação desse segmento foi de 1,35%, enquanto em maio ficou em 1,15%, percentuais acima da mediana registrada para esses meses na última década, segundo avaliação do economista sênior da 4intelligence, Fabio Romão.
Para quem pretende comprar um imóvel na planta, o cenário exige atenção. Isso porque, durante a fase de construção, as parcelas costumam ser corrigidas pelo INCC. Com a aceleração do índice e a taxa básica de juros ainda em 14,25% ao ano, o custo final do financiamento tende a aumentar, tornando o planejamento financeiro ainda mais importante para os futuros compradores.








