O programa federal que facilita compra de veículos por taxistas e motoristas de aplicativo atingiu 65,8 mil financiamentos até segunda-feira (26). Foram contratados R$ 6,9 bilhões — 23% dos R$ 30 bilhões previstos.
O Move Brasil, programa federal que facilita a compra de veículos por taxistas e motoristas de aplicativo, alcançou cerca de um terço da meta prevista desde o lançamento. Até segunda-feira (26), foram financiados 65,8 mil veículos, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
No lançamento, em maio, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, estimou que ao menos 200 mil carros seriam vendidos por meio do programa. O crédito aprovado e contratado soma R$ 6,9 bilhões, o equivalente a cerca de 23% dos R$ 30 bilhões disponibilizados para a iniciativa.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) considerou o resultado positivo e informou que o volume de financiamentos é mais de três vezes o que o segmento compraria em quatro meses no ritmo habitual. A estimativa de vendas no mercado sem o programa, feita pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, era de 4,4 mil carros por mês.
Apesar das aprovações no âmbito do programa, a concessão do empréstimo depende da análise das instituições financeiras. Após a aprovação do cadastro no Move Brasil, o motorista precisa procurar um banco ou financeira, que avalia o histórico de crédito e a capacidade de pagamento antes de firmar o financiamento.
O impacto financeiro varia conforme o perfil do motorista. Rogério Rodrigues da Silva, de 44 anos, optou por trocar o carro alugado por um veículo financiado. Segundo ele, o gasto mensal ficou semelhante ao anterior, e a vantagem é concluir o contrato com um bem que pode ser usado como entrada na compra do próximo carro.
Por outro lado, Júnior Santana, de 50 anos, preferiu continuar com o aluguel, que custa cerca de R$ 3.600 por mês. Ele afirmou que percorre aproximadamente 300 km por dia e que o contrato de locação inclui revisões, pneus e serviços de suspensão trazidos pela locadora, o que pesa na decisão.
O programa passou por mudanças desde o lançamento: em agosto o teto do valor dos veículos subiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil, e o prazo máximo de pagamento passou a 84 meses. Em setembro, a iniciativa virou lei permanente, e o tempo mínimo de cadastro exigido dos motoristas de aplicativo foi reduzido de 12 para 6 meses.
Os juros máximos anunciados são de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres, patamares inferiores aos praticados no mercado, segundo o Mdic. Entre as instituições participantes, o Banco do Brasil informou que 54% dos financiamentos concedidos a taxistas e motoristas de aplicativo foram para veículos elétricos.




