Antes reservada para receber amigos em ocasiões especiais, a área gourmet passou por uma transformação silenciosa nos últimos anos. Nos apartamentos, esse ambiente deixou de ser um espaço de uso eventual para assumir um papel central na rotina das famílias, funcionando como uma extensão da cozinha e da sala de estar. A mudança de comportamento também alterou a forma de projetar esses ambientes, que hoje precisam conciliar praticidade, conforto e estética.

Para o designer de interiores e técnico em edificações Edney Vanny, que atua há mais de 13 anos no desenvolvimento de projetos residenciais e comerciais, o novo perfil de utilização exige soluções cada vez mais personalizadas.
“A área gourmet passou a ser utilizada para refeições do dia a dia, trabalho remoto, encontros informais e momentos de descanso. Por isso, ela precisa ser bonita para receber, mas, principalmente, agradável para ser vivida todos os dias”, afirma.
Nos apartamentos, onde a limitação de espaço costuma ser um desafio, o planejamento se torna ainda mais importante. Segundo o profissional, cada centímetro deve ser aproveitado de forma estratégica para garantir boa circulação, áreas de apoio, armazenamento e conforto.

“O segredo está em um projeto pensado para os hábitos da família, onde cada elemento tenha uma função bem definida”, destaca.
Outro aspecto que vem ganhando força é a utilização de materiais naturais, como madeira, pedras e fibras. Além do apelo estético, eles ajudam a criar ambientes mais acolhedores e atemporais.
“A escolha correta dos materiais permite equilibrar beleza, durabilidade e facilidade de manutenção. Um bom projeto sempre busca funcionalidade sem abrir mão da sofisticação”, explica.
Para bancadas, Edney recomenda materiais de alta resistência, como quartzo, granito e porcelanatos de alta performance. Já na marcenaria, madeiras naturais ou lâminas naturais protegidas oferecem durabilidade e elegância. As fibras naturais podem aparecer em cadeiras e objetos decorativos, acrescentando leveza à composição.
A iluminação também desempenha um papel decisivo no resultado final. O ideal, segundo o designer, é trabalhar com diferentes camadas de luz, permitindo que o ambiente atenda tanto às necessidades práticas quanto aos momentos de convivência.
“A luz funcional garante conforto visual durante o preparo dos alimentos, enquanto a iluminação indireta cria um clima acolhedor para refeições e encontros”, explica.

Entre as soluções mais utilizadas atualmente estão perfis de LED, trilhos eletrificados, pendentes sobre bancadas e luminárias embutidas. Em relação à temperatura de cor, os tons quentes, entre 2.700K e 3.000K, predominam nas áreas de convivência por proporcionarem sensação de aconchego, enquanto luzes neutras podem ser utilizadas nas áreas de preparo quando há necessidade de maior precisão.
Outra tendência consolidada é a integração entre cozinha, sala de jantar, varanda e área gourmet. No entanto, integrar não significa eliminar completamente os limites entre os ambientes.
“O projeto precisa criar unidade por meio da paleta de cores, dos materiais e da linguagem do mobiliário, mas também preservar a identidade de cada espaço com iluminação, revestimentos e disposição dos móveis”, observa.
Nos ambientes compactos, algumas estratégias ajudam a ampliar visualmente o espaço. Cores claras, iluminação bem distribuída, continuidade dos revestimentos, móveis proporcionais e organização visual fazem diferença na percepção de amplitude.
Quando o assunto é decoração, o profissional defende uma abordagem mais equilibrada.
“Menos costuma ser mais. Plantas naturais, obras de arte, objetos cuidadosamente escolhidos, tecidos com textura, madeira e uma iluminação aconchegante são suficientes para criar personalidade sem sobrecarregar o ambiente.”
Para quem pretende reformar ou montar uma área gourmet, Edney ressalta que o principal investimento deve ser feito ainda na fase de planejamento.

“Marcenaria sob medida, iluminação e materiais de qualidade fazem toda a diferença na durabilidade e na funcionalidade. O erro mais comum é escolher móveis, acabamentos e equipamentos de forma isolada, sem um projeto que conecte todos os elementos. Um bom planejamento evita retrabalhos, otimiza os recursos e entrega um resultado muito mais consistente”, conclui.







