Dongfeng tenta acordo com Stellantis e Nissan para fabricar no Brasil em 2028

4 Min Leitura

A fabricante chinesa Dongfeng, que adota a sigla DFM no Brasil, tem a meta de produzir carros no país em 2028 e decidirá a localização da fábrica ainda em 2026. Conversas estão em andamento tanto com a Stellantis quanto com a Nissan. A decisão final caberá à matriz chinesa, que financia a entrada da marca no mercado brasileiro.

Uma das possibilidades avaliadas é a fábrica da Stellantis em Porto Real (RJ), onde atualmente são produzidos os modelos Citroën C3, Aircross, Basalt e Jeep Avenger. A unidade tem capacidade nominal para 130 mil veículos por ano, podendo chegar a 180 mil com a adoção de um terceiro turno. Antes da estreia do Avenger, a produção estava abaixo de 70 mil carros anuais. O interesse na planta também está relacionado à joint-venture em formação entre Stellantis e Dongfeng para a fabricação e comercialização de modelos da submarca Voyah, além do desenvolvimento conjunto mantido pelas duas empresas, de acordo com a Stellantis.

A existência de capacidade ociosa há anos é um dos fatores que favorecem a possibilidade de utilização da unidade de Porto Real pela DFM. Caso a fabricante alugue ou utilize a fábrica, será necessário realizar uma reforma para adequar a planta ao regime CKD (completely knocked down). Em uma etapa posterior, também seria possível avançar na nacionalização de componentes. Esse processo tende a ser mais simples caso a parceira já produza veículos utilizando plataformas compatíveis.

Outra alternativa considerada é a fábrica da Nissan em Resende (RJ), responsável atualmente pela produção dos modelos Nissan Kicks e Nissan Kait. A unidade produz cerca de 90 mil carros por ano e possui capacidade instalada de 200 mil veículos anuais.

A possibilidade de uma parceria com a Nissan também considera a relação já existente entre a fabricante japonesa e a Dongfeng na China. As empresas mantêm uma parceria de longa data no país asiático, com uma joint-venture e produção compartilhada de veículos das marcas Nissan e Infiniti destinados ao mercado chinês.

No Brasil, essa relação já resultou em modelos desenvolvidos a partir de veículos da Dongfeng. Entre eles estão a Frontier Pro, versão híbrida plug-in da picape média, e uma nova família de veículos elétricos. Os modelos estão atualmente em testes no país e podem chegar ao mercado até 2027.

Outras parcerias e exemplos de uso de fábricas

  • GAC: montará veículos na fábrica da HPE (representante da Mitsubishi) em Catalão (GO).
  • Comexport (Horizonte, CE): já monta veículos chineses da Chevrolet e começará a montar carros da MG em 2027.
  • Geely: adquiriu parte da operação da Renault no Brasil para usar a fábrica de São José dos Pinhais (PR); a montagem de carros chineses na planta começará em setembro.

O movimento revela dois vetores simultâneos: marcas chinesas buscam produção local para evitar tarifas adicionais e ampliar vendas sem depender exclusivamente de importação; por outro lado, fabricantes já estabelecidas procuram preencher capacidade ociosa de suas plantas. No caso da DFM, a combinação de disponibilização de fábrica por terceiros e eventual compatibilidade de plataforma com modelos locais parece ser parte central da estratégia para nacionalizar produção no médio prazo.

Uma vez definida a planta que será utilizada, haverá um esforço para adaptar as linhas à montagem de kits importados (CKD) e, na sequência, ampliar o conteúdo local das peças, conforme as condições acordadas entre as empresas envolvidas e a matriz chinesa que está financiando o projeto.

Compartilhe este artigo