Funcionários de empresas terceirizadas que atuam nas obras da fábrica da BYD em Camaçari (BA) estão em greve há três dias. A paralisação faz parte de uma mobilização nacional organizada pelo Movimento Luta de Classes (MLC), com apoio de outros grupos, e atinge diretamente a construção da planta da montadora no estado.
Principais reivindicações
Os trabalhadores denunciam condições precárias nos canteiros da obra — entre as reclamações estão a escala de trabalho 6×1, exigência de adicional de insalubridade de 30%, cortes em benefícios como auxílio-transporte e alimentação, e falta de infraestrutura adequada, como bebedouros, vestiários, banheiros funcionais e transporte interno para quem atua no local.
Relatos apontam ainda que, antes da greve, o fornecimento regular de café da manhã nos sábados foi suspenso por algumas empresas, o que teria agravado o descontentamento.
Impacto sobre a obra e a produção
Apesar da paralisação nas obras civis, fontes ligadas à BYD garantem que o movimento não afeta a produção de veículos — a operação industrial permanece funcionando normalmente, já que os grevistas são terceirizados e não compõem o quadro de empregados diretos da montadora.
Até o momento, a empresa não emitiu um posicionamento oficial público sobre a greve.
Histórico recente e contexto mais amplo
O protesto da semana se soma a controvérsias anteriores envolvendo a BYD no Brasil: em meados de 2025, a montadora foi autuada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por manter trabalhadores — muitos deles estrangeiros — em condições consideradas análogas à escravidão durante as obras da fábrica em Camaçari. Na ocasião, ao menos 163 trabalhadores foram resgatados de alojamentos insalubres, com jornadas exaustivas e alojamentos superlotados.
O impasse atual demonstra que, mesmo após autuações e denúncias, persistem tensões no local de trabalho, levantando dúvidas sobre as condições de reconstrução da confiança e da transparência nas obras da montadora.
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