A recente tentativa de abuso contra uma moradora dentro de um condomínio reacendeu o debate sobre a segurança em prédios residenciais e os riscos provocados por falhas no controle de acesso. O caso, em que um homem conseguiu entrar livremente no condomínio, circular pelos andares e chegar até o apartamento da vítima sem ser abordado, expôs vulnerabilidades que especialistas consideram básicas, mas ainda comuns em muitos empreendimentos.
Com 24 anos de experiência no segmento de segurança privada e passagem pelo Corpo de Fuzileiros Navais, o gestor operacional da unidade Sergipe da NE Segurança Privada, Robson Cavalcante, alerta que um dos erros mais frequentes cometidos pelos condomínios é justamente a flexibilização das regras de acesso.
“O erro mais comum e perigoso é a flexibilização das regras por conveniência. Muitas vezes, para evitar filas ou para não incomodar um morador, a portaria libera a entrada de visitantes ou prestadores sem a devida identificação ou sem autorização prévia expressa”, afirma.
Segundo ele, a prática de abrir exceções “por cortesia” acaba criando brechas graves na segurança. Outro problema recorrente é a ausência de um cadastro completo de prestadores de serviço, especialmente aqueles que permanecem vários dias realizando obras ou manutenções dentro dos condomínios.
“Segurança eficiente exige constância. Abrir exceções é criar vulnerabilidades na primeira linha de defesa do condomínio”, reforça.
Para o especialista, a ausência de protocolos claros facilita diretamente a entrada de pessoas mal-intencionadas, que costumam utilizar a chamada engenharia social para acessar os prédios sem levantar suspeitas.
“Pessoas mal-intencionadas raramente tentam pular muros. Elas preferem entrar pela porta da frente, fingindo ser entregadores, técnicos de manutenção, parentes de moradores ou prestadores de serviço”, explica.
De acordo com Robson Cavalcante, quando não existe um procedimento rígido estabelecido, o porteiro acaba ficando vulnerável à pressão psicológica, à correria do cotidiano ou ao medo de contrariar moradores.
“O protocolo funciona como um escudo para o colaborador. Ele sabe exatamente o que fazer, quem acionar e como agir, eliminando o ‘achismo’ e blindando o condomínio contra intrusões”, destaca.
Entre as medidas consideradas básicas para garantir mais segurança aos moradores, especialmente mulheres e crianças, o especialista cita iluminação adequada, monitoramento eficiente e o uso correto do sistema de clausura — mecanismo em que um portão só é aberto após o fechamento completo do anterior.
“Áreas comuns, garagens e subsolos precisam de iluminação impecável e monitoramento por câmeras para evitar pontos cegos, que trazem mais vulnerabilidade para mulheres e crianças”, pontua.
Além da estrutura física, Robson defende que os condomínios invistam também em conscientização dos moradores. Segundo ele, a segurança coletiva depende do comprometimento de todos os residentes com as normas internas.
Questionado sobre o papel da tecnologia na proteção dos condomínios, o gestor afirma que ferramentas como reconhecimento facial, câmeras inteligentes e controle digital de acesso aumentam significativamente a segurança, mas não substituem o fator humano.
“A tecnologia fornece os dados e os olhos, mas o homem fornece a estratégia e a ação. O sucesso está no alinhamento entre ferramentas de ponta e profissionais preparados”, afirma.
Na NE Segurança Privada, empresa sediada em Recife e com atuação em diversos estados do Nordeste, a prioridade é a prevenção. Segundo Robson Cavalcante, o trabalho é focado em evitar que situações de risco aconteçam.
“Nós não priorizamos a ação repressiva. Trabalhamos com medidas preventivas e rigorosas para evitar que a ocorrência aconteça”, explica.
Para isso, a empresa investe em treinamento contínuo das equipes e atualização constante dos profissionais de acordo com as diretrizes mais recentes do setor de segurança privada.
“Unimos material humano altamente qualificado à tecnologia de ponta para entregar aos síndicos e moradores a tranquilidade de saber que o controle de acesso e a vigilância do patrimônio estão sob gestão especializada”, conclui.







