Ambiente do setor de pneus no Brasil é considerado desafiador, aponta ANIP

3 Min Leitura

Entregas acumuladas até setembro caem enquanto concorrência importada pressiona indústrias nacionais

A indústria de pneus instalada no Brasil enfrenta um cenário de aperto: segundo dados da ANIP – Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, as entregas acumuladas até setembro recuaram 2,7 %, totalizando cerca de 29 milhões de unidades, ante 29,8 milhões no mesmo período do ano anterior. 

Somente em setembro, o volume vendido às montadoras e ao mercado de reposição foi de 3,21 milhões de unidades — queda de 8,2 % frente aos 3,50 milhões registrados em igual mês de 2024. 

Pressão das importações e riscos à cadeia

De acordo com a entidade, uma das principais causas da retração é a forte concorrência de pneus importados que operam com preços menores, muitas vezes sem respeitar as mesmas exigências técnicas ou ambientais aplicadas às fabricantes nacionais. 

“O setor está sofrendo uma degradação que pode levar ao colapso da cadeia de produção”, alertou o presidente da ANIP, Rodrigo Navarro, em nota, destacando ainda que há “distorções de preço, falta de conformidade técnica e casos de não cumprimento das obrigações ambientais”. 

Segmentos com resultados distintos

No varejo – que engloba o mercado de reposição –, as entregas caíram 7 % até setembro, para cerca de 20,3 milhões de unidades, ante 18,8 milhões de um ano antes.  Já para o mercado de montadoras, o resultado foi diferente: o total entregue chegou a 10,1 milhões de unidades, alta de 6,6 % em relação ao mesmo período de 2024 (9,53 milhões). 

Por aplicação, os pneus de passeio apresentaram queda de 2,1 % até setembro (24,1 milhões de unidades) e os de carga registraram recuo de 5,2% (4,84 milhões). 

Perspectivas e demandas

Diante desse panorama, a ANIP reivindica que o governo brasileiro adote medidas para restabelecer condições de competição mais justas para a indústria instalada no país. Isso inclui tratamento igual para importados e nacionais, respeito às obrigações ambientais e técnicas e mecanismos de defesa comercial mais eficazes. 

Segundo a associação, sem uma reação institucional adequada, a cadeia produtiva pode entrar em colapso — o que traria impactos não apenas para os fabricantes, mas para fornecedores, empregados e para o setor automotivo nacional em geral.

Com retração nas entregas gerais e forte discrepância entre os segmentos de reposição e montadora, o setor de pneus no Brasil vive momento de alerta. A aposta está em medidas regulatórias e de competitividade para impedir que a indústria perca terreno para importados com menores exigências. A atenção agora volta-se para as ações do governo e para como a cadeia nacional reagirá.

Compartilhe este artigo