Governo alerta para risco de paralisação em montadoras em até três semanas
O Brasil iniciou tratativas com a China para garantir o fornecimento de semicondutores ao setor automotivo nacional, em meio a um cenário de risco de paralisação da produção em “duas ou três semanas”, segundo estimativas do governo e das entidades do segmento.
Motivo da crise
O problema terá origem em um conflito de natureza geopolítica envolvendo a empresa chinesa Nexperia — que detém cerca de 40% do mercado mundial de chips essenciais para veículos flex — e o governo da Holanda, que interveio no controle da companhia. Como reação, a China teria suspendido exportações de componentes produzidos em sua fábrica, o que coloca em risco o abastecimento das montadoras e sistemistas no Brasil.
Ações do governo
Na terça-feira (28/10), o vice-presidente e ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, se reuniu com representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), da Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (Abipeças) / Sindipeças, e de outras empresas do setor automotivo para tratar do risco de desabastecimento.
Em paralelo, foi confirmado que Alckmin contatou o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, e o embaixador do Brasil na China, Marcos Bezerra Abbott Galvão, para reforçar a negociação diplomática e buscar que o Brasil fique fora do embargo ou restrição que afeta o mercado global de chips.
Impactos esperados
Segundo o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira, as montadoras e seus fornecedores dispõem hoje de estoque para “cerca de duas semanas” antes de enfrentarem paralisações.
O setor automotivo representa cerca de 20% da indústria de transformação no Brasil e emprega aproximadamente 130 mil pessoas diretamente e 1,3 milhão indiretamente — o que reforça o caráter sensível e urgente da negociação.
Próximos passos
O governo brasileiro afirma que buscará garantir que os chips importados da China sejam usados prioritariamente no mercado interno, com rastreabilidade e sem intenção de exportação para outros mercados — condição importante para flexibilizar a negociação.
Enquanto isso, entidades da cadeia de autopeças, como o Sindipeças, expressam confiança no sucesso das conversas com a China, apontando para o “ótimo relacionamento” entre os dois países como ponto relevante.
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