Preço de material de construção sofre nova alta

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A alta nos preços dos materiais básicos da construção civil voltou a acender o sinal de alerta no mercado imobiliário brasileiro. Depois de um período de estabilidade e até de queda em alguns insumos, março e abril marcaram uma mudança no cenário, com aumentos expressivos em itens essenciais como cimento, cobre, argamassa e tinta.

Os dados são do Índice de Preços de Materiais de Construção (IPMC), elaborado pelo Ecossistema Sienge, com apoio institucional da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O levantamento aponta que os reflexos da guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro, já começam a impactar diretamente a cadeia da construção civil no Brasil.

Desde o início do conflito, o petróleo bruto acumulou alta superior a 40% no mercado internacional, impulsionado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável pelo escoamento de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. O aumento no preço da energia e dos combustíveis elevou os custos de transporte, produção e logística em diversos segmentos industriais, incluindo o da construção civil.

Segundo o estudo, março foi o primeiro mês de 2026 em que a maioria dos principais insumos monitorados voltou a registrar inflação. O cimento subiu 1,28%, revertendo as quedas observadas em janeiro (-0,14%) e fevereiro (-0,33%). O fio de cobre avançou 2,67%, enquanto a argamassa registrou alta de 0,71%. A tinta apresentou leve aumento de 0,05%. Apenas o aço teve retração, com queda de 0,29%.

Em abril, no entanto, a pressão inflacionária ganhou força. Pela primeira vez desde novembro de 2025, os cinco principais insumos acompanhados pelo índice registraram alta simultaneamente. O cimento teve aumento de 4,16%, atingindo o maior patamar da série recente. O cobre voltou a subir, desta vez 4,32%, pressionado pela volatilidade internacional dos mercados de metais e energia.

A argamassa avançou 0,86%, a tinta teve alta de 1,39% e o aço registrou elevação de 0,04%.

No acumulado dos últimos 12 meses, o cobre lidera a inflação dos insumos da construção, com alta de 31,89%, seguido pelo cimento, que acumula avanço de 11,75%. Apesar de ainda apresentarem saldo negativo no período, aço (-4,74%), argamassa (-4,47%) e tinta (-1,03%) também passaram a demonstrar recuperação gradual nos últimos meses, indicando uma possível reversão do ciclo de alívio nos custos do setor.

A gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge, Gabriela Torres, afirma que o cenário já era esperado diante das tensões internacionais.

“O IPMC confirma a curva de inflação apontada pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), da FGV, que registrou alta de 1,04% em abril e acumula 6,28% nos últimos 12 meses. Mas o índice vai além, ao detalhar os preços por insumo e região, permitindo identificar quais materiais estão impulsionando os aumentos”, destacou.

Já o presidente do Conselho Consultivo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, ressaltou que o cenário internacional mantém uma pressão estrutural sobre os custos da construção.

“O petróleo segue como um dos principais vetores de custo na cadeia industrial, impactando energia, transporte e produção ao longo de toda a cadeia de materiais. Em um cenário global mais instável, esses movimentos acabam sendo transmitidos para os custos da construção no Brasil”, afirmou.

Segundo ele, o setor também observa movimentos considerados atípicos, como a alta de insumos dolarizados mesmo em períodos de valorização do real frente ao dólar.

“A continuidade dos investimentos em tecnologia e defesa sustenta o consumo de minerais e energia em nível global, reduzindo o espaço para alívio de preços no curto prazo”, completou Martins.

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