Em agosto, média diária de vendas foi de 13,1 mil veículos, a segunda melhor do ano. De jan a ago, vendas cresceram 18,4% ante 8,5% da produção, indicando perda de participação das montadoras nacionais.
Agosto apresentou resultados positivos para o mercado automotivo brasileiro: a média diária de vendas foi de 13,1 mil unidades, a segunda melhor do ano, atrás apenas de maio, com 13,7 mil/dia. Mesmo assim, houve preocupação sobre a composição desse crescimento e sobre a participação das montadoras nacionais.
Segundo Igor Calvet, presidente da Anfavea, nos primeiros oito meses deste ano as vendas apontaram um crescimento de 18,4%, enquanto a produção cresceu apenas 8,5%. Em suas palavras:
“Não estamos capturando todo o crescimento do mercado”
De janeiro a agosto, a comercialização de modelos importados de automóveis e comerciais leves avançou 30,3%, enquanto os de produção nacional tiveram crescimento de 17,2%. Calvet informou que, dos 148 mil veículos adicionais vendidos no período, apenas 47 mil foram efetivamente produzidos no Brasil; os outros 101 mil chegaram prontos, parcialmente desmontados (SKD) ou totalmente desmontados (CKD), e, portanto, não agregaram conteúdo local relevante.
Entre os dez modelos mais vendidos em agosto, três já eram chineses: um importado e dois fabricados no país com presença simbólica de componentes brasileiros, como pneus e vidros. O executivo não detalhou projeções sobre até que nível os modelos chineses poderão avançar no mercado nacional.
Um ponto relevante para o setor é a mudança tributária anunciada para o ano que vem: a partir de janeiro próximo, todos os veículos elétricos importados, inclusive CKD e SKD, estarão sujeitos à alíquota de 35% de imposto de importação (I.I.). Entretanto, ainda existe um estoque elevado de modelos elétricos que chegaram isentos do I.I., o que impacta o mercado no curto prazo.
A comparação com outros mercados também foi mencionada: incentivos fiscais no exterior têm valor fixo em moeda local e costumam ser muito inferiores aos praticados no Brasil, e exportações chinesas para a Argentina deslocaram veículos brasileiros naquele mercado vizinho.
Apesar do avanço de veículos elétricos e híbridos no segmento de automóveis e comerciais leves, a participação desses grupos nas vendas acumuladas entre janeiro e agosto permanece baixa. O texto original destaca ainda que percentuais de crescimento elevados podem ser enganadores por efeito de base.
Participação por tipo de combustível (jan–ago)
- Flex: 68,3%
- Gasolina: 2,7%
- Etanol: 0,1%
- Híbridos: 5,9%
- Híbridos plugáveis: 6,1%
- Elétricos: 7,6%
- Diesel: 9,2%
O levantamento final aponta um mercado em expansão em volume, mas com transferências significativas de participação para modelos importados e para fabricantes com cadeias produtivas fora do país, suscitando questões sobre conteúdo local e políticas industriais para os próximos meses.




