Startup californiana criou painéis solares retráteis para o rack do teto que geram 500 W por módulo. Em cerca de 10 segundos o sistema se abre; dois módulos recuperam 24-34 km de autonomia por dia em sol favorável.
Uma startup californiana desenvolveu um sistema modular de painéis solares retráteis que transforma o rack de teto do carro elétrico em uma usina portátil. Segundo a empresa, o equipamento pode ser instalado em praticamente qualquer veículo elétrico e recuperar entre 24 km e 34 km de autonomia por dia em condições favoráveis de insolação.
Cada módulo gera 500 W e triplica de tamanho ao ser aberto: mede 1,47 m quando fechado e chega a cerca de 4,3 m quando estendido, em uma operação que leva por volta de dez segundos, de acordo com a fabricante. Em um teto convencional cabem dois módulos, formando o conjunto de 1.000 W usado como referência nas estimativas da empresa. Vans, motorhomes e picapes aceitam módulos montados lado a lado, que também passam a funcionar como toldo, e chegam a configurações de 1.500 W, 2.000 W ou 2.500 W. No teto plano da Tesla Cybertruck, informa a Dart Solar, é possível instalar 1.500 W.
A empresa foi fundada em 2024 pelo inventor Omid Sadeghpour, dono de um Tesla, e chegou ao produto atual depois de uma sequência de protótipos que foram ficando mais baixos e menos volumosos.
O conjunto produz energia com o veículo parado e em movimento, mas, ao rodar, os painéis precisam permanecer recolhidos — o que reduz drasticamente a área exposta ao sol. Sobra o efeito aerodinâmico, ponto sensível em um carro cuja eficiência é medida em quilômetro por quilowatt-hora. A Dart Solar sustenta que a estrutura invade apenas 3,8 cm do fluxo de ar, que foi testada a 160 km/h e que, em medições feitas com um Tesla Model Y, o acréscimo de arrasto ficou entre 1% e 2%. Os dados não passaram por verificação independente.
Em versões anteriores, o kit de 960 W era anunciado a US$ 2.950, cerca de R$ 15,1 mil na conversão atual, com a unidade que converte a energia solar em corrente alternada, ou a partir de US$ 1.950, aproximadamente R$ 10 mil, para quem já tivesse esse equipamento. O sistema pesa cerca de 41 kg e suporta até 23 kg de carga extra no teto, por meio de um adaptador. A vida útil projetada é de dez anos. O produto não é vendido no Brasil.
As estimativas de autonomia recuperada consideram condições favoráveis de insolação, e o Brasil possui vantagem nesse quesito. A irradiação solar global horizontal na média nacional é de cerca de 5,15 kWh/m² por dia, segundo o Atlas Brasileiro de Energia Solar, do Inpe, com o Nordeste na faixa de 5,5 kWh/m² — valores superiores aos registrados em países europeus que lideram a geração fotovoltaica.
A proposta não elimina a necessidade da rede elétrica, mas se apresenta como forma de reduzir a dependência dos carregadores rápidos em trajetos rotineiros e em regiões com pouca infraestrutura de recarga.




