Levantamento do Anfavea Visions 2026 mostra que 57% dos consumidores usam IA ao escolher automóveis, e 13% delegam parte da decisão. Pesquisa indica aumento do foco em planejamento financeiro e interesse por consórcios.
A inteligência artificial já integra a jornada de compra de veículos no Brasil e vem alterando hábitos de pesquisa e decisão dos consumidores. Segundo um levantamento nacional apresentado durante o evento Anfavea Visions 2026, 57% dos consumidores brasileiros utilizam ferramentas de IA no processo de escolha de um automóvel, enquanto 13% já delegam parte de suas decisões a essa tecnologia.
O estudo aponta que a presença da IA na jornada de compra ocorre ao mesmo tempo em que cresce o foco no planejamento financeiro do consumidor. No setor de consórcios de veículos leves, o segmento registrou um crescimento de 4,2% no primeiro semestre de 2026.
A utilização de inteligência artificial não necessariamente reduz o tempo total da jornada de compra. Ao facilitar o acesso e a organização de grande volume de informações, a tecnologia tende a ampliar a fase de pesquisa, levando o comprador a avaliar mais alternativas antes de concluir a negociação.
Como a IA auxilia na pesquisa e escolha do veículo
- Reunir características técnicas — as ferramentas reúnem dados sobre versões e especificações, permitindo confrontar diferentes versões de um mesmo modelo de forma estruturada.
- Organizar informações sobre custos — a IA ajuda a compilar e analisar dados sobre consumo de combustível, manutenção, seguro e tecnologias embarcadas, oferecendo comparações que costumam ser mais completas do que buscas isoladas.
- Mapear custos de aquisição e uso — a tecnologia auxilia no entendimento dos custos associados tanto à compra quanto à posse contínua do veículo, incluindo despesas recorrentes que impactam o planejamento financeiro.
Com esses dados organizados previamente, o comprador chega às etapas seguintes da negociação com parâmetros mais robustos para fundamentar a decisão. Ainda assim, o relatório ressalta que a IA funciona como facilitadora e não substitui a avaliação individual do comprador: orçamento disponível, finalidade de uso e despesas contínuas de propriedade permanecem determinantes.
A transformação na indústria automotiva contribui para a complexidade da escolha. A expansão da oferta de veículos eletrificados, os recursos de conectividade, os sistemas avançados de assistência à condução (ADAS) e as novas tecnologias de propulsão ampliaram os critérios avaliados pelos consumidores. O automóvel tornou-se mais digital, com abertura por parte dos consumidores para personalização por IA e atualizações remotas de software.
O início digital da jornada de compra se consolida: a pesquisa de modelos, a comparação de custos e o estudo das modalidades de aquisição ocorrem antes da visita a concessionárias ou pontos de venda, em canais online. Esse comportamento de pesquisa antecipada e planejamento se refletiu nos números do mercado de consórcios.
Conforme dados divulgados pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o segmento de veículos leves encerrou o primeiro semestre de 2026 com 995,83 mil cotas comercializadas, um crescimento de 4,2% em comparação ao mesmo período de 2025. Com isso, o segmento manteve liderança no Sistema de Consórcios em volume de adesões.




